Paulo
Ribeiro é um narrador circular. Um escritor único
que aparece de supetão para matar as moscas na cara
do leitor. Dói a pele nas asas do inseto. Sua literatura
não é a realidade, mas uma forma de obter e
conquistar a realidade. Vitrola dos Ausentes já marcou
seu lugar na existência da fala. Criador solipsista,
Ribeiro provocou uma espécie de traumatismo lingüístico
na literatura brasileira.
Fabrício
Carpinejar
Quantas vezes os de baixo foram protagonistas da literatura
feita no Brasil? Várias. Mas em quantas dessas vezes
os de baixo – aqueles que, além de viver em precárias
condições de comida e moradia, sem trabalho ou
futuro, pensam pequeno e por isso não conseguem articular
uma leitura de conjunto sobre a vida -, quantas vezes esses
de baixo passaram da condição de assunto e tomaram
a palavra narrativa? Foram poucas, bem poucas. Uma delas está aqui,
neste impressionante, singular e extraordinário Vitrola
dos Ausentes.
Luís Augusto Fischer
Para quem não conhece a região dos Campos de
Cima da Serra, no Rio Grande, onde se passa essa história,
deve ser uma surpresa descobrir essas minúsculas formas
de vida que o livro Vitrola dos Ausentes descreve com tanta
precisão. Para quem conhece aquela imensidão árida,
deve ser uma surpresa ver que ela pode ser traduzida com a
suavidade implacável do grande texto de Paulo Ribeiro.
Marcelo Carneiro da Cunha
Conheci a prosa de Paulo Ribeiro pelas mãos do Fabrício
Carpinejar e do Luís Augusto Fischer. Arrebatador o
cabra. Esse linguajar que vem dos Pampas mas que poderia ter
vindo lá de Pernambuco. Os mesmos ausentes presentes,
você me entende? A mesma forma e a mesma música.
Vitrola dos Ausentes é para ser lido em voz alta. Pois é.
Alta literatura.
Marcelino Freire
Em 1989, a editora Sulina reeditou o Catatau, do Leminski.
Logo em seguida, veio outro romance extremamente inventivo:
Glaucha. O autor? O estreante Paulo Ribeiro. Caramba, quem é esse
Paulo Ribeiro? Como esse ilustre desconhecido ousa perfilar-se
ao lado do mestre, do monstro Leminski? Foi desse jeito que
o Paulo me surpreendeu pela primeira vez. A segunda surpresa,
muito maior, ficou por conta da originalidade do seu romance
de estréia. Reeditem Glaucha. Assim como fizeram agora
com este seu singular Vitrola dos Ausentes.
Nelson de Oliveira
A verdade é que Vitrola dos Ausentes surpreende, sobretudo,
pelas qualidades, uma delas exatamente essa surpresa: o tom
sincopado, brecado, feito à base de minúsculas
vinhetas onde só há verbo e substantivos próprios...
sem enredo e sem personagens, há literatura de qualidade.
Paulo encontrou um modo de narrar. Com estilo, isto é,
com uma forma pessoal lingüística de tratar seu
material, contribui de fato porque acrescenta ao que já tínhamos.
Paulo Bentancur
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